Por que meu cabelo não cresce?

Especialistas investigam as principais causas relacionadas à queda capilar, enfraquecimento e desaceleração do ritmo de crescimento dos fios. Expressões de alguns genes, maus hábitos e dieta inadequada podem estar envolvidos no problema

Podemos ter a tendência de exagerar, mas se você notar que o cabelo não está crescendo, de alguma forma, pode estar certo. “O cabelo geralmente cresce 0,4 milímetros por dia. É tão pouco que é impossível perceber sua evolução, mas depois de alguns meses, quando a figura passa a ser centímetros, podemos ver o quanto o comprimento mudou”, afirma a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O problema surge naquele momento em que quase não houve progresso. Como se o tempo não tivesse passado: tudo continua como antes. O cabelo não cresce e você se pergunta: afinal, o que está acontecendo?




Segundo a dermatologista, existem três estágios de desenvolvimento do cabelo. “A primeira, chamada de anágena, é a fase de crescimento mais ativa e costuma durar entre 2 e 6 anos. Isso é seguido por um período de descanso. A catágena dura de 2 a 3 meses. Por fim, chega a terceira e última etapa, a telógena, em que o cabelo morre e se perde. Este ciclo de vida pode ser alterado por diversos fatores. Um deles é a comida. Parece lógico, mas se não ingerirmos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do nosso corpo, o crescimento capilar vai ser afetado”, completa a médica. Lembre-se de que as proteínas ajudam a produzir aminoácidos, a partir dos quais a queratina é criada, o principal componente do cabelo. “Em dietas radicais, uma alimentação com déficit calórico muito expressivo (ou seja, quando as calorias ingeridas são extremamente menores que a taxa metabólica) trará resultados para o emagrecimento, mas poderá causar sérios problemas ao corpo. As carências de vitaminas, minerais, proteínas, gorduras e carboidratos de boa qualidade também impactam na saúde dos fios e do couro cabeludo”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).




Se você perceber que seu cabelo está demorando a crescer, pode tentar (re)introduzir à dieta alimentos que são boas fontes de proteínas, como peixe, frango, carne magra, ovos, feijão, quinoa, tofu e leguminosas, segundo a dermatologista. “O ovo é rico em proteínas, ácidos graxos, aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais como zinco, selênio e ferro. Esses micronutrientes são envolvidos nos processos de formação da fibra capilar e de multiplicação das células da raiz do cabelo, facilitando o processo de crescimento”, diz a Dra. Paola. Aproximadamente 85% do cabelo é formado de queratina, que é uma proteína. “Se não houver sobra de aminoácidos, não há boa síntese de queratina. Além disso, minerais metálicos como ferro e cobre além de vitaminas do complexo B como a biotina participam da manutenção da saúde capilar”, diz a nutróloga.

O mesmo da dieta também vale para o descanso. Às vezes é difícil reservar 7 ou 8 horas do dia para dormir, mas é isso que seu corpo e seu cabelo precisam para evitar sofrer mais do que o necessário. Leve isso a sério. “Se você fuma, saiba que o cigarro pode ser uma das razões pelas quais seu cabelo não cresce. Cada cigarro que você acende contém um coquetel de substâncias químicas que afetam a oxigenação do seu corpo, incluindo transporte de nutrientes, o que atinge seu couro cabeludo e retarda o crescimento dos fios. Além disso, alguns medicamentos ou anticoncepcionais também podem afetar o ciclo de vida e até mesmo os componentes de seu shampoo normal. Escolha sempre aquele que não contenha sulfatos, pois são mais agressivos para os cabelos”, diz a dermatologista.




Além disso, segundo o geneticista Dr. Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene, é importante notar que a dieta e os hábitos de vida modulam a expressão de nossos genes – e alguns deles estão relacionados com o fenômeno da queda capilar ou da oleosidade e caspa, que também afetam o crescimento dos fios. Estima-se que 70% dos homens e 40% das mulheres possam ser afetados pela Alopécia Androgenetica (calvície). “Uma das principais causas é a ação da enzima 5 alfa-redutase, que transforma testosterona em di-hidrotestosterona (DHT). O DHT pode promover a miniaturização folicular”, afirma a dermatologista. “Quando há baixa expressão do gene CYP19A1, há acúmulo de DHT (di-hidrotestosterona) que leva à queda de cabelo e aumento de oleosidade. A alta expressão diminui os níveis de DHT e melhora a resposta ao tratamento. Já o gene SRD5A2 codifica a enzima 5 alfa-redutase 2, que está envolvida com o aumento da oleosidade e queda capilar. A expressão de genes tem relação inclusive com a efetividade do tratamento contra queda capilar”, afirma o geneticista.




Mas não se esqueça de um detalhe importante: o comprimento do cabelo é determinado geneticamente e, além disso, diminui com o passar dos anos. “O fato é que o fio do cabelo cresce e, com o passar dos anos, existe uma diminuição natural do crescimento do fio do cabelo, porque nosso metabolismo basal não é mais o mesmo. Existem algumas vitaminas que podemos tomar, soluções que podemos aplicar no couro cabeludo, desde vitaminas à medicação tópica. Mas existe sim um crescimento mais acelerado quando somos mais jovens, pelo fato de termos o metabolismo mais rápido, e conforme vamos envelhecendo existe um quadro de senescência ou envelhecimento que também faz parte o fio do cabelo. É inevitável, embora isso não signifique que não encontraremos a solução mais adequada e recomendada por um especialista, se percebermos que o cabelo cresce cada vez menos”, finaliza a dermatologista.

FONTES:

*DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/*

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.

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